domingo, 2 de janeiro de 2011
Análise do Discurso das Profissionais do Sexo 1/2
Dentro da análise do discurso crítica, verificaram-se algumas questões na fala das profissionais do sexo que encerram a pesquisa de Sandro Xavier, a tabela com o Resumo da análise que será transcrita abaixo. Cabe aqui informar que os dados foram obtidos em uma pesquisa semi-estruturada já que estas possibilitam um diálogo e quebram o ‘gelo’ entre participantes e pesquisador. Ela foi realizada com as prostitutas em seu local de trabalho após a criação de uma certa intimidade com a linguagem, cultura e cotidiano delas de tal forma que a pesquisa fosse etnográfica.
Para os interessados no texto completo, ele foi publicado no site da UnB (unb.com.br) e também pode ser disponibilizado por qualquer integrante do blog.
Resumo da análise
| Questão Verificada | Prática Social | Texto das Participantes |
| - Local da mulher na família | - O pai é o centro da família. Sua palavra é lei dentro deste núcleo da sociedade. | - “Adoro meu pai” - “Ele gostava que a gente estudava” |
| - A mulher como profissional do sexo | - Prostitutas realizam um trabalho indigno, por isso não revelam sua condição. | - “Ninguém pode ficar sabendo.” |
| - A mulher na sociedade | - Às mulheres não fica bem entregar-se aos prazeres do sexo. | - “Se ela vai a uma festa...fica com fulano...também é uma prostituta”. |
| A legalização do trabalho de profissional do sexo | - O registro de trabalho traz dignidade para qualquer categoria profissional - A discriminação faz qualquer grupo sentir medo e vergonha | - “Você trabalha fichado, as pessoas sabe onde você trabalha” |
| - O discurso sobre os clientes homens | - É preciso ter dinheiro para agradar uma prostituta. | - “Sempre aparece homem mais velho...homem mais velho paga mais” |
| - O discurso sobre os homens como profissionais do sexo | - Homens ganham menos que as mulheres nessa atividade | - “Se der eles passam o dia todinho com a mulher... ele só tira os 100 reais dele” |
| - O envolvimento protagonista com a causa das profissionais do sexo | - É difícil para uma profissional do sexo apresentar-se na sociedade como tal. | - “ eu acho que eles têm que fazer mais coisa para o pessoal entender... mas a gente ainda tem medo” |
| - A hegemonia do poder masculino e a desigualdade de gênero | - Homem pode... mas mulher não. | - “ É vergonha mesmo ( a mulher procurar serviços sexuais)... se fosse mais escondido acho que ia ser melhor. |
Filha, Mãe Avó e Puta - Gabriela Leite

Esse nome certamente tem uma enorme contribuição em assuntos relacionados à prostituição, já que Gabriela, ex-prostituta da Boca de Lixo em São Paulo e da Vila Mimosa, no Rio de Janeiro, é socióloga formada pela Universidade de São Paulo, que começou a cursar em 1969.É fundadora da ONG Davida, que defende os direitos das prostitutas e uma das criadoras da famosa marca que veste as “meninas” ; a Daspu.
Gabriela em seu primeiro livro publicado “Eu Mulher da Vida” ,tem seu perfil bem descrito na contracapa pelo jornalista Flávio Lenz César:
"Gabriela tornou-se prostituta por opção. Antes de entrar “na vida”, muitas vidas viveu com intensidade: adolescente classe média, universitária da USP nos anos 60, secretária de multinacionais, mulher de malandro, mãe solteira. Ovelha negra em pele de lobo, ochão fugia aos seus pés quando ela decidiu partir de uma vez por todas, para a marginália. ‘Aí começa o meu grande tesão de atuar nesse mundo.’
Das zonas na Boca do Lixo, em São Paulo, à militância política nas organizações internacionais de prostitutas, muitas águas rolaram. Em sua luta pela dignidade das profissionais do sexo, Gabriela se envolveu de corpo e alma em movimentos religiosos e sociais, como a Teologia da Libertação, organizações não-governamentais (ONGs), setores do governo, grupos feministas, partidos políticos, guetos e tribos. Sem temer podres poderes e nunca engolindo hipocrisias, ela desvenda os bastidores desses diversos mundos e nos mostra que estamos todos no mesmo barco, participando de uma difícil batalha pelo encontro de um desejo, que é pessoal e único.
Nesse campo do sonho e do desejo atua a prostituta. Mulher da vida, guarda consigo a chave de um mistério, que sempre será mágico."
Filha, Mãe, Avó e Puta
Filha, Mãe, Avó e Puta - A história de uma mulher que decidiu ser prostituta. É esse o título da biografia de Gabriela Leite, a ex-prostituta fundadorada ONG Davida (que lida com garotas de programa), e da polêmica grife Daspu. Lançado pela editora Objetivo, Gabriela conta um pouco de sua história, a sua passagem por zonas de prostituição em São Paulo, Minas Gerais ate chegar à Vila Mimosa no Rio de Janeiro; conta ainda da perda da guarda das filhas, e o impacto da exclusão social quando começou a lutar pelos direitos da prostitutas.
"Entrei para a prostituição porque queria ter uma vida mais livre,experimentar a boemia coisa que sempre gostei muito. Claro que não foi fácil, mas não me arrependo da minha decisão. O preconceito existe, fui posta de lado pela minha família, fiquei longe das minhas filhas. Mas eu acho que se você assume algo e existe um preconceito contra, você tem que ir a luta para que um dia esse preconceito acabe" Afirma Gabriela Leite (ao jornal O GLOBO).
Os 10 mandamentos de uma prostituta segundo Gabriela Leite:
1. Serás discreta. Jamais apontarás um homem na rua e dirás que ele é teu cliente;
2. Não beijarás na boca. Beijo na boca é afetivo, só o darás a quem quiseres;
3. Não terás cafetão. Não cairás nesta cilada, sob pena de acabares na sarjeta;
4. Não revelarás a fantasia do próximo. A fantasia do teu cliente é secreta e sua identidade jamais poderá ser violada;
5. Não te apaixonarás pelo teu cliente;
6. Não sairás da zona para morar com o cliente, sob pena de na primeira briga ele jogar na tua cara: "Fui eu que te tirei da vida!" E tu voltarás para a zona com o rabinho entre as pernas;
7. Terás ética. Nunca misturarás diversão e trabalho, mas deverás desfrutar das duas coisas;
8. Cobrarás. Dentro da zona jamais poderás receber um cliente sem que ele pague por teus serviços;
9. Desconfiarás da cafetina. Por mais que a dona da casa seja boazinha, não poderás ficar na mão dela. Terás que mostrar, com educação, que tu também és esperta;
10. Terás orgulho da tua profissão e usarás camisinha
Análise do Discurso das Profissionais do Sexo 2/2
Com base nesse quadro podemos concluir que:
(1) o homem ainda é o centro da família, é ele quem decide o caminho de seus filhos, diz o que é certo e errado e decepcioná-lo é algo muito forte, pode gerar a quebra na estrutura familiar. Se uma mulher escolhe o caminho de profissional do sexo, a primeira barreira a ser encontrada é a familiar que não aceita e marginaliza.
(2) O trabalho que elas realizam – independentemente do porquê – é algo para se envergonhar, esconder, mentir. Entretanto é um caminho válido para quem quer ganhar dinheiro.
(3) O direito ao sexo é negado as mulheres desde o princípio da vida e exercer a sua sexualidade livremente é algo repudiado pela sociedade, uma vez que a virgindade e a pureza sexual são consideradas virtudes. A moça que escolhe ficar com muitos caras também é considerada uma prostituta. A noção de que uma mulher precisa de um homem para cuidar dela, nos remete ao ciclo de submissão e de fragilidade da mulher, à construção social do gênero feminino.
(4) A legalização do trabalho com sexo seria algo interessante e feliz para as trabalhadoras, porém assumir para a sociedade que o seu ofício é esse, é algo que causa medo e vergonha. Nota-se mais uma vez um pensamento contraditório, sempre marcado por medo e silenciamento de sua real vontade em detrimento de fatores coercitivos externos sociais.
(5) A prostituição é antes de tudo um comércio, um interesse no valor de troca do produto oferecido, cujo objetivo é o lucro para os profissionais e a satisfação para os clientes, portanto quanto mais extravagante o prazer maior o preço a ser pago. O julgamento presente no discurso dessas profissionais considera que ao procura-las o homem casado comete um erro, independente do motivo, entretanto a culpa, em geral, cai sobre elas... Porém quem as procura é o homem e é algo que parte da vontade de ambos.
(6) Os homens ganham menos dinheiro nesse ramo por dois motivos: a mulher fisiologicamente demora mais para atingir o orgasmo do que o homem e há menos procura de homens pelas mulheres. Elas tem vergonha de sentir prazer, isso é negado a elas e o local em que esse tipo de serviço é oferecido não apetece as mulheres, o enfoque e abordagem para o programa é diferenciado para os sexos/gêneros.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Contos de Fadas para Mulheres do Século XXI
Os dois menores e MELHORES contos de fadas do mundo!
Direitos Sexuais

Organização Mundial da Saúde, Definições de Trabalho.
A sexualidade é um aspecto central do ser humano durante sua vida e compreende o sexo, identidades e papéis de gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade é vivenciada e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações. Embora a sexualidade possa incluir todas essas dimensões, nem todas elas são sempre vivenciadas ou expressas. A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais.
O direitos sexuais abrangem direitos humanos já reconhecidos por leis nacionais, documentos internacionais sobre direitos humanos e outras declarações consensuais. Isso inclui o direito de toda pessoa, livre de coerção, discriminação e violência, ao seguinte:
• O mais alto padrão atingível de saúde sexual, incluindo o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva;
• Educação da sexualidade;
• Busca de uma vida sexual satisfatória, segura e prazerosa.
O exercício responsável dos direitos humanos exige que todas as pessoas respeitem os direitos das demais.
O Organização Mundial da Saúde, 2004,
Definições de Trabalho.
Fonte: In Brief, boletim Bridge nº 18 - Janeiro de 2007